Saturday, March 18, 2006

Um Amor Eterno

(Por : July e Ronaldo)
Capitulo 1
Gritos... Correria.... soldados armados com espadas e espigardas.Um casal, uma fogueira se apagando, objetos espalhados pelo chão. Um cheiro de incenso de rosas pelo ar; eles estavam deitados no chão abraçados como se tivessem acabado de fazer amor.
Ele se levantou assustado com os gritos dos soldados, se aproximado, ela ainda dormia tranqüilamente...
Então ele se veste, mas vendo que era tarde demais para poder chamar sua amada, ele corre e se esconde entre as arvores, mas com um aperto no coração, vê sua amada sendo, acordada e presa de uma maneira tão cruel. Uma lagrima rola em seu rosto ao ouvir o grito de dor seu amor, pois ela foi ferida na perna pela espada de um dos soldados.
Ele senta atras de uma das arvores e fica ali pensando em meio as lagrimas, o que iria fazer agora com sua amada nas mãos dos soldados do Rei. Foi então que lhe ocorreu que seu amigo Rudolf poderia lhe ajudar.
- Stephan o que você está fazendo aqui? Perguntou Rudolf, abrindo a porta de sua humilde casa, para que Stephan pudesse entrar.
- Eles a pegaram Rudolf! A pegaram! Stephan dizia enquanto segurava Rudolf pela camisa e com lagrimas nós olhos.
- Acalme-se Stephan! E me conte o que aconteceu!
Stephan tentando se acalmar, sentou a mesa da cozinha, enquanto Rudolf pegava uma garrafa de vinho ,que estava pela metade, depois se sentou em uma cadeira com o encosto para frente, e escutou toda a historia de Stephan tinha lhe contar. Quando ele terminou de ouvir a historia de seu amigo, ele respirou forte, se levantou da cadeira ,foi até a janela e vendo a lua e as estrelas naquela noite quente, virou-se para Stephan tomou um gole do vinho e disse:
- Você sabe que ela vai para a fogueira não é!
- Eu sei! Por isso que te procurei! Estou desesperado! Não posso deixa-la ir parar na fogueira! Stephan o olhava aflito, como se uma simples palavra de Rudolf poderia trazer sua amada de volta.
- Agora não posso fazer mais nada por ela Stephan, a não ser... – Rudolf parou por um instante, olhou novamente pela janela pensativo.
- No que está pensando meu amigo? Stephan, bem mais tranqüilo agora, estava intrigado com a expressão de Rudolf.
- Que a única forma de salva-la, e você indo lá e tira-la daquela fogueira com sua próprias mãos.
- Como?! Terá muitos soldados lá, sem falar do Rei. Não poderei aparecer lá assim. Stephan sabia que se aparece-se lá, no local da execução seria preso imediatamente e de nada adiantaria.
- E se você estivesse disfarçado, você iria tira-la de lá sem problemas. Rudolf falava com muita calma.
- Como assim?! Stephan começou a escutar todo o plano de Rudolf com muita atenção, não perdendo uma só palavra do que ele dizia.

Um Amor Eterno

(Por : July e Ronaldo)
Capitulo 2
A noite se passou, o dia raiou e a fogueira já estava montada no meio da praça. Uma multidão já se encontrava na praça, tinha jovens, velhos, crianças, todos daquela pequena cidade já estavam lá esperando paras ver o que aconteceria com a prisioneira.
Então um pequeno grupo de soldados, foram em direção da plataforma montada ao lado da fogueira, levando a prisioneira, a jovem de olhos azuis e longos cabelos ruivos. Os soldados á prenderam no pedestal da fogueira, e a amordaçaram, e lá ela ficou esperando por seu destino.
No meio da multidão, Stephan olhava a expressão de angustia de sua amada, e naquele momento que ele decidiu colocar o plano de Rudolf em pratica.
Vestindo uma longa capa negra, Stephan atravessou toda a multidão ate chegar próximo a plataforma, mas neste momento sons de trombetas, ressoaram avisando a chegada do Rei, ele estava em meio de um outro grupo de soldados. Ele subiu a plataforma, cumprimentou algumas das figuras importantes daquela vila, que estavam aguardando ansiosas para ver o inicio da execução, o Rei depois disso se dirigiu para a multidão, que também estava afita para ver o que ia acontecer a prisioneira, então começou a fazer seu discurso habitual, mas agora evidenciando que tudo estava sendo feito em nome do bem estar da comunidade.
Stephan aproveitando que toda a atenção estava voltada para o Rei, subiu na plataforma para tentar tirar sua amada de seu terrível destino. Então ele olhos bem nos olhos dela e disse:
- Não tenha medo meu amor, eu vou te levar daqui, vamos para bem longe destas pessoas hipócritas! Stephan tentava desatar os nós da corda que a prendiam, mas quando olhos bem fundo nos olhos dela viu que algo o deixou confuso, ela o olhava como se não quisesse que ele a solta-se.
Stephan, se afasta olhando abismado para ela, e uma pergunta ficava em sua cabeça; "Como ela não que queria ser solta?" Isso não fazia sentido, Stephan pensava que poderia ser a pressão de todos os acontecimentos, que estava perturbando o razão dela. Mas como na floresta, o tempo havia se esgotado para ele poder fazer alguma coisa, para tentar tira-la daquela situação, pois o Rei havia acabado de fazer seu discurso, e todas as atenções estavam sendo voltadas de novo para a fogueira. Um dos soldados se aproximou da fogueira com uma tocha na mão pois iria acende-la.
Stephan desceu as presas da plataforma, se misturou a multidão, que estava alvoroçada, pois a fogueira começava a queimar, Stephan olhava espantado ao ouvir sua amada urrar de dor, com o fogo que consumia todo o seu corpo.
Rudolf olhava ao longe tudo o que se passava na praça, e lhe ocorreu que poderia ajudar Stephan, se ele apresenta-se uma velha amiga.

Um Amor Eterno

(Por : July e Ronaldo)
Capitulo 3
A noite chegou, e Stephan ainda se encontrava na praça, sentado nas escadarias do coreto, próximo de onde tudo aconteceu. Ele não continha as lagrimas que rolavam uma após a outra.Rudolf chegou a praça e vendo seu amigo naquele estado, sentou-se ao seu lado, e tentou consola-lo:
- Stephan, você fez tudo o que foi possível! Você sabe que seria inevitável, ela foi pega em flagrante. - Rudolf arfou e continuou – Stephan, não fique assim, você tem sorte de não ter sido pego também!
- Como que você quer eu não fique assim! - Stephan disse de súbito – se eu não a deixasse lá na floresta, já estaríamos muito longe daqui!
- Foi inevitável Stephan! Mas talvez eu possa te ajudar... Rudolf parou e ficou com um ar pensativo.
- O que você que dizer com isso? Stephan olhava intrigado para seu amigo.
- Vá a floresta, no mesmo local onde você esteve ontem a noite, e você verá do que eu falo! Então Rudolf se levantou e foi embora, deixando em Stephan uma semente de curiosidade, o que ele tinha de tão importante para lhe mostrar, e ainda num lugar que trazia em Stephan sentimentos tão ruins.
Na floresta, Rudolf estava preparando uma nova fogueira, no mesmo local onde a outra havia queimado, quando ouviu um barulho de folhas e galhos sendo esmagados sob os pés, que o alarmou , mas logo percebeu de quem se tratava, era Anabelle, sua convidada especial.
Anabelle, era uma garota, muito intrigante, seu olhar era muito envolvente, sua pele muito pálida e ficava quase translúcida sob a luz do luar, seus cabelos negro que ficavam presos em um coque, sua boca era um convite para um beijo, principalmente por causa daqueles lábios vermelhos, ela vinha vestida com um longo vestido vermelho. Então Anabelle foi em direção a Rudolf, que ao vê-la chegar tão perto, faz um reverencia para saudar sua amiga.
- Que bom que veio Anabelle, nós convidado já deve estar chegando!
Anabelle, se acomodou em uma pedra em forma de banco ao fundo de uma trilha formada pelos objetos da noite passada, e num tom suave mas com uma ponta de ironia perguntou:
- É você, meu querido Rudolf, não quer ter o mesmo destino de seu amigo?
Rudolf, que começava a acender a fogueira voltou-se para Anabelle, e esboçando um sorriso, respondeu:
- Você sabe que não preciso, minha cara!
Um outro barulho de passos, mas desta vez era Stephan, que ainda estava com os pensamentos nos acontecimentos das ultimas horas, mas sua curiosidade era tanta que resolveu ir ver o que seu amigo tinha para lhe mostrar.
- Que bom que veio, meu amigo! Rudolf se aproximou de Stephan dando-lhe um abraço.
- O que tinha de tão importante para me mostrar Rudolf? Stephan parecia estar um pouco indiferente a tudo a sua volta, mas na realidade cada canto que via lhe trazia uma estranha sensação de que tudo não passava de um sonho ruim.
Rudolf neste momento sumiu um ar sombrio, como se os pudesse sentir os sentimentos de seu amigo, e virando-se para a fogueira que já queimava alto respondeu em altas vozes.
- Isso, meu amigo, é uma maneira de te ajudar a ter sua amada de volta!
- O que você quer com isso Rudolf, me magoar! – Stephan começava a se enfurecer com as palavra de seu amigo – Você sabe que ela morreu, naquela fogueira lá no meio da praça!
- Sim. Mas podemos traze-la de volta!- Disse Anabelle, que escutava tudo, de seu trono de pedra. Isso fez com que Stephan se espantasse com a intrigante figura de Anabelle, mas suas palavra o deixou um tanto curioso.
- Como assim cumprir meu destino?!Rudolf vendo o espanto de Stephan, tentou acalma-lo, mas sem perder seu tom sombrio.
- Não se espante meu amigo, Anabelle é uma velha amiga. Ela ira te ajudar, a compreender o que será seu destino daqui para frente!
- Ainda não entendo! Como ela pode me ajudar? – Stephan olhava assustado para Rudolf – E do que vocês estão tentando dizer com "destino"!
De repente Anabelle sem dizer uma palavra, foi se aproximando devagar de Stephan, com seu jeito de andar bem suave, e chegando com o rosto bem próximo ao dele, lhe deu um beijo que só encostou os lábios de Stephan, este por sua vez, sentiu um arrepio percorrer todo o corpo.
- O que é você? – Stephan ainda se sentia um pouco zonzo.
- Silencio! – Anabelle tocou os lábios dele, para que ele para-se de falar – Essa não é hora para perguntas.
Anabelle virá-se de costas para Stephan. Ela dobra o joelho direito e encosta o do lado esquerdo no chão. Anabelle abre os braços para os lados. Ela inicia um movimento ondulatório com as mãos. Em seguida, começa a bater devagar com os pés no chão. À medida que os segundos passam as batidas tornam-se maiores. O corpo de Anabelle se contorce. Stephan não entende.
- O que é isso, Rudolf?!
- Calma, meu amigo!
- Como você quer que eu fique calmo?! Está na cara que essa mulher é uma feiticeira. E magia negra é crime!
Rudolf coloca as mãos sobe os ombros de Stephan.
- Quer ter sua amada de volta?!
- Sim! Mas não a esse custo!
- Então você não a ama!
- Ora, como...
- Você não a ama!
- Rudolf, é lógico que a amo! Mas não quero ter de vender minha alma ao diabo para tê-la de volta!
- Vou pedir para Anabelle parar com a cerimônia! Vou dizer que tudo não passou de uma aventura!
Stephan pega Rudolf pelo braço.
- Rudolf, não desdenhe de meu amor!
- E que espécie de amor é esse?! Berra Rudolf soltando-se de Stephan. Você fez amor com a garota, Stephan! Quase foi morto por ela! E agora não quer tê-la de volta porque tem medo do demônio!
- Morrer por amor não é o mesmo que vender sua alma por amor!
- E você acha mesmo que vai para o Céu depois de ter dormido com uma virgem?!
Stephan pára um pouco para pensar. De repente um forte tremor de terra abala os corpos dos dois amigos.
- Mas o que foi isso?!
- Foi o primeiro sinal! Rápido, Stephan, segure-se nessa árvore!
- Sim, mas...Um outro tremor ocorre forçando Stephan a se segurar na árvore indicada por Rudolf. Este não se segura em nada. O terremoto começa e Rudolf permanece de pé, impassível. Stephan fica perplexo. Ele mal consegue se segurar e o amigo continua fixo, como se o terremoto não fosse nada para ele. De repente as chamas da fogueira começam a girar, ocasionando um furacão vermelho.
- Meu Deus!Stephan fica cada vez mais impressionado. À medida que Anabelle bate com mais força os pés no chão, os tremores de terra aumentam. O terremoto e o furacão de fogo aumentam. Até que Anabelle dá uma cambalhota no ar ficando de frente para Stephan.
- Ela é um demônio! Grita o jovem ao ver os olhos vermelhos e os dentes afiados de Anabelle.Quando a vampira bate com os pés no chão, após o salto, a terra treme. O chão se abre e Anabelle pronuncia o encantamento:
- Chum, fire vinde a mim!
E o fogo sai do centro da terra e atinge em cheio a vampira.
- Nãooo... Grita Stephan.
- Iahhh... Grita Anabelle enquanto a pele é arrancada de seu corpo pelas chamas.
Foi nessa hora que Stephan ouviu a gargalhada sombria de Rudolf. E isto o revoltou.
- Vocês dois são loucos!
- Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
- Assassino! Assassino! Assassino! Assassino!
- Iahhh...Os gritos de revolta de Stephan são interrompidos pelos berros de dor de Anabelle. A vampira torná-se um esqueleto humano. É quando Rudolf estica sua mão direita na direção do furacão de fogo. De repente, cinzas saem de baixo da terra e são tragadas pelo furacão. É quando Rudolf usa a sua magia.- Cham vuar...Ele aponta a mesma mão para o esqueleto.
- ... prá sum sier!
As cinzas, levadas pelo vento, entram no esqueleto pela boca aberta. As chamas voltam para a terra. O buraco se fecha. O terremoto termina e o furacão se dissipa. O esqueleto cai.
- Meu Deus do Céu!Stephan corre até o esqueleto. De repente, uma nova carne começa a nascer entre os ossos. Stephan se assusta. Então, ele vê os olhos azuis e os cabelos castanhos renascerem no esqueleto. A transformação é rápida e repleta de dor. Quando termina, a jovem encolhe o corpo e começa a chorar. Stephan reconhece sua amada.
- Meu Deus! Eu não acredito! Pensei que nunca mais a veria!Ao ouvir a voz do amado, a jovem virá-se na direção dele. O rosto da garota era cheio de beleza e de tristeza. Lágrimas caem de seus belos olhos azuis. Rudolf assiste a cena de braços cruzados achando tudo aquilo um show de baboseira.
- Stephan! Ela fala com os lábios doloridos.
- Sim, meu amor, sou eu!
- Stephan, achei que nunca mais o veria!
Os dois ficam parados por um momento, admirando-se. A intensidade do amor estava impressa nos olhos dos dois jovens. Ela tenta se levantar, mas cai. Sente a debilidade do corpo dolorido. Stephan corre até ela e a segura pelas mãos.
- Você está bem?!
- Stephan, você me tirou do mundo dos mortos... só para me ter de novo?!
Ele balança a cabeça em sinal afirmativo.
- Stephan... então... você me ama?!
- Sim!
- Mais do que as leis da Igreja?! Mais do que a hipocrisia do Rei e de seus plebeus?!
- Sim! Sim! Sim, meu amor!
- O seu amor por mim está acima do Céu e acima da Terra?!
- Sim!
- E acima de Deus?!
Stephan exita. Apesar de ter sido condenado pela Inquisição por ter praticado o sexo antes do casamento, o jovem ainda acreditava no amor de Cristo. Rudolf aproxima-se do amigo e lhe fala ao ouvido.
- Você já está condenado, amigo! O Tribunal da Inquisição o julgou! E o Tribunal da Inquisição... é Deus! Se você condenou sua amada por amor... por que você não pode se sacrificar por ela?!
Stephan pensa. As lágrimas escorrem pelo rosto.
Eu a condenei ao Inferno! Pensa ele. Eu não posso ser egoísta agora! Quando tentei libertá-la ela não quis, temendo que eu fosse preso também! Ela se sacrificou por mim! Eu tenho de fazer o mesmo!
- Você me ama, Stephan... acima de Deus?!
Ele ainda demora a responder.
- Sim!
- Eu os declaro marido e mulher! Berra Rudolf rindo. Pode beijar a noiva!E assim eles o fazem.

Um Amor Eterno

(Por : July e Ronaldo)
Capitulo 4
O homem sente os lábios da mulher tocarem os seus. A língua da jovem passeia pela boca do amado. Para o homem, no momento do ato sexual, é muito mais excitante beijar outras partes do corpo. O queixo, o pescoço, os seios, a barriga, o meio da pernas. Isso quando o sexo é praticado em nome do prazer. No entanto, quando o amor é envolvido, a boca torná-se uma parte importante na relação. É como se houvesse uma troca de almas entre os amantes. Stephan sente como se a ponta de sua língua tocasse o coração de sua amada.
Súbito, a jovem beija o queixo de Stephan e desce a boca até o pescoço. Ela o chupa enquanto suas mãos acariciam o peito másculo do amado. Então, a garota sente. Sua boca estava próxima de uma das veias do pescoço de Stephan. Ela a beija... antes de cravar os dentes no pescoço do amado.
- Iahhhh... Grita o homem enquanto a vampira chupá-lhe o sangue.E o corpo sem vida de Stephan cai para trás.
***
O jovem se encontra imerso num mar vermelho. E as imagens chegam aos poucos em sua mente.
***
O passado.
O Rei explorava cruelmente o povo da região. A fome e a miséria se alastravam pelo reino enquanto a família real enriquecia graças ao que era produzido pelos plebeus.
Os pais de Rudolf e Stephan era pescadores. Devido ao duro trabalho a que eram submetidos, os genitores com trinta anos já não tinham mais força para pescar. Os dois jovens passaram a trabalhar desde cedo. Rudolf com dez e Stephan com oito anos de idade.
Os anos passam e a pesca predatória elimina muitas espécies marinhas. Rudolf e Stephan estavam desesperados. Não haviam peixes nem para vender e nem para se alimentar. Os dois entram no barco e partem para o alto-mar.
No meio do oceano, os dois amigos jogam suas redes na esperança de obter o sustento de suas famílias. Mas nada acontece. Até que...
- Peguei, Stephan! Peguei! Me ajude aqui!
- Uau, esse é dos grandes, Rudolf!
- Graças a Deus, amigo! Com um peixe grande desse, vamos poder alimentar nossas famílias e ainda é capaz de sobrar carne para a venda!
Súbito, o inferno acontece em alto-mar. A rede de Rudolf tinha se prendido a uma enorme baleia. O monstro emerge do mar soltando um urro de horror.
- Meu Deus do Céu!- Virgem Santíssima!
Os dois jovens ficam espantados com a criatura. Esta abocanha a perna direita de Rudolf.
- Iahhh...
- Rudolf, não!Mas é tarde demais. A coisa acontece rápida. A baleia puxa o corpo de Rudolf e os dois afundam.
- Rudolf! Grita Stephan tentando puxar a rede. Rudolf! Rudolf! Não! Não! Nãooo...A baleia sente a dor das puxadas e corta a rede com os dentes. Depois, puxa Rudolf para o fundo do mar. Quando Stephan consegue puxar a rede completamente destruída, seu grito é desesperador.
- Rudolf, não! Não! Nãooo...
O jovem chora acreditando que perdeu seu amigo.
***
No fundo do oceano, Rudolf sente a dor da dentada da baleia. Sem poder respirar e perdendo muito sangue, o jovem nada consegue fazer. Até que ele vê uma mulher nadar na direção da baleia. A criatura crava os dentes no olho direito do animal. A baleia solta Rudolf. A vampira chupa rapidamente o sangue do animal matando-o. Em seguida, nada até Rudolf e morde-lhe o pescoço chupando-lhe o sangue. O pescador fecha os olhos enquanto a vida abandona seu corpo.
***
O presente.Stephan acorda. O vampiro sequer vê o sangue da vampira pingar em sua garganta. Se ergue e começa a chupar o sangue da amada.
- Isso! Chupe! Chupe o sangue da vida, da imortalidade! Venha! Venha meu amor para o meu colo! Se deleite com o meu sangue e seja imortal como eu! Seja eterno como o nosso amor! Ai! Ai, pare! Pare! Pare! Pare, pelo amor de Deus! Pare! Pare!
A vampira esbofeteia Stephan jogando-o para trás. Em seguida, improvisa um curativo para a ferida no pulso. Passada a sede de sangue, Stephan percebe o que aconteceu. Os dentes afiados, a pele pálida. Então, o vampiro entra em desespero.
- Não! Não! O que você fez comigo?! O que você fez comigo?! Me transformou em um nosferato, em um ser das trevas!
- Stephan, tenha calma! Diz a vampira terminando de fazer o curativo em seu pulso.- Como posso ter calma sabendo que, quando morrer, serei enviado ao Inferno?!
- Stephan, nós não vamos morrer!- Você não podia ter feito isso comigo!
- Stephan, fique calmo!
- Você me amaldiçoou! Você não me ama!
- Pára, porra!A vampira segura Stephan pelos ombros.
- Foi você quem me amaldiçoou! Foi você quem tirou a minha virgindade condenando-me ao Inferno! E foi você quem me trouxe de volta na forma de uma vampira!
Stephan chora. Ele sabia que sua amada estava certa. Foi ele quem insistiu para que ela se entregasse ao sexo. Foi ele quem queria que ela voltasse.
- Você está certa! Fui eu quem incentivou você ao pecado! Eu sou culpado! Eu sou culpado!
- Psiu! Isso é besteira, Stephan! Nós nos entregamos ao pecado porque nos amamos! Porque, ao contrário daquela gente hipócrita, assumimos o que fazemos! E eu... eu ainda te amo, Stephan!A vampira começa a chorar. Stephan inclina o corpo e acaricia o rosto de sua amada. Ela se vira para ele. Stephan admira os olhos azuis de seu amor, o contorno de seus rosto, de sua boca e o brilho de seus cabelos. Só de pensar que sua bela amada estaria ao seu lado para sempre, Stephan esquece a maldição do Inferno e a beija.
Os dois vampiros fazem amor sob o clarão da lua.
***
O passado.
Rudolf acorda em uma caverna subterrânea. O vampiro morde o pulso da vampira que o transformou sugando-lhe o sangue.
- Isso! Chupe mais! Venha para mim! Agora você é só meu e de mais ninguém! E nunca mais irá me trair novamente!Rudolf se espanta com as palavras da vampira e pára de chupar o sangue desta.
- Lembra de mim, querido?!
- Não pode ser! Você morreu! Não pode ser! Não pode ser!
- Eu ainda tenho em meu dedo o anel de noivado que você me deu!A vampira mostra o anel a Rudolf, o que o deixa ainda mais transtornado.
- Não pode ser! Anabelle, é você! Mas me disseram que o tiro do guarda tinha lhe matado!- Sim! A vampira fala enquanto enfaixa o pulso. O guarda realmente me matou! Fui enviada ao Inferno depois! Lá, fui transformada em vampira por ter tentado matar você e aquela piranha com uma faca!- Sim! Lembro-me que sai muito ferido quando você tentou me matar! Pena que aquela garota morreu! Uma jovem tão linda!- Humpf! O sangue que espirrou de seus corpos manchou minha alma e eu mergulhei num mar de sangue quente! Quente como ácido! Os demônios arrancaram a minha pele e me transformaram nisto!
- E você voltou para... se vingar?!
Anabelle esbofeteia o rosto de Rudolf.
- Não, seu canalha! Eu não podia me vingar de você, pois ainda o amo! Mas você nunca mais vai me trair de novo, está me ouvindo?! Será meu noivo... para sempre!
- Ah! Ah! Ah! Quer dizer então que você voltou do Inferno só para... Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!A gargalhada de Rudolf ecoa pela caverna.
***
Cai a noite.
Stephan rema até a praia. As lágrimas escorrem de seu rosto. Aquele amigo querido, a quem ele considerava um irmão, não mais vivia.
- O que eu vou dizer pros pais do Rudolf?! Ai, meu amigo, como você vai fazer falta! Que sua alma descanse em paz!
- Stephan! Stephan!O rapaz ouve os gritos e não acredita. Ele olha para o lado e vê Rudolf caído na beira na praia, com a perna machucada.
- Rudolf! Rudolf, meu amigo!
Stephan corre na direção de Rudolf. Os dois se abraçam. Depois, Stephan chama os outros pescadores a fim de ajudá-lo a tirar o corpo de Rudolf da água.
- Mas como você sobreviveu, Rudolf?!
- Um tubarão atacou aquela baleia maldita!
Os pescadores carregam Rudolf até o médico sem saberem a maldição que levam em seus braços.
EPÍLOGO
Dois anos depois de Stephan ter resgatado sua amada dos braços da morte, encontramos Rudolf caminhando em uma floresta. No final desta encontrava-se um palácio. À medida que se aproxima do castelo, Rudolf esbarra nos mortos caídos pelo chão.
- Hummm! Pelo que vejo, Stephan se adaptou direitinho às mudanças que ocorreram em seu corpo.
Rudolf finalmente chega ao castelo e bate na porta. A amada de Stephan a abre.
- Olá, Rudolf! Mas que surpresa!
- Vim saber se meu amigo está bem!
Os dois se olham por um momento.
- Veio saber se seu amigo está bem... ou se eu me apaixonei a sério por ele?!
Rudolf abraça a jovem. A garota, no entanto, o empurra.
- Saí de perto de mim! Nunca mais encoste a mão em mim!
- Não acredito que você está apaixonada por esse idiota!
- Ele não é idiota! Ele é o homem leal e apaixonado! O noivo que você nunca foi para mim!
Os dois se olham com ódio.
- E quando você vai contar a verdade para ele?!
- Nunca! Estamos tão felizes que não há necessidade dele saber a verdade!
- Então, foi essa a vida que você escolheu, Anabelle?! Amar um homem que pensa que você é outra mulher?!
- Pouco me importa se ele me ama, achando que eu sou a outra! O que me importa é ter o seu amor! E o seu amor é tudo o que me basta!
- Creio que cometi um erro ao vir aqui!
- Nisso eu concordo com você!
- Vou embora!
- Rudolf, espere!A vampira tira um anel do dedo e o joga na direção de Rudolf. Este agarra o anel com a mão esquerda.
- Agora você está livre de mim!
- Graças ao Inferno que estou! Só sinto pena do coitado do Stephan!Rudolf se vai. A vampira fecha a porta. Devido às constantes traições de Rudolf, Anabelle resolveu desistir de continuar como noiva do vampiro. Quando ela ficou sabendo do amor de Stephan, resolveu se passar pela amada deste a fim de obter o seu amor. Com o passar dos anos, Anabelle aprendeu a amar Stephan. Ele era o homem leal e apaixonado que Rudolf nunca tinha sido. E, se ele amava a outra, pouco importava. Pois embora o corpo fosse da outra, era a alma de Anabelle que sentia o prazer e o amor de Stephan em seu coração.
O amor até não poderia ser verdadeiro, devido à mentira de Anabelle, mas pelo menos ele era eterno.
FIM