(Por : July e Ronaldo)
Capitulo 3
A noite chegou, e Stephan ainda se encontrava na praça, sentado nas escadarias do coreto, próximo de onde tudo aconteceu. Ele não continha as lagrimas que rolavam uma após a outra.Rudolf chegou a praça e vendo seu amigo naquele estado, sentou-se ao seu lado, e tentou consola-lo:
- Stephan, você fez tudo o que foi possível! Você sabe que seria inevitável, ela foi pega em flagrante. - Rudolf arfou e continuou – Stephan, não fique assim, você tem sorte de não ter sido pego também!
- Como que você quer eu não fique assim! - Stephan disse de súbito – se eu não a deixasse lá na floresta, já estaríamos muito longe daqui!
- Foi inevitável Stephan! Mas talvez eu possa te ajudar... Rudolf parou e ficou com um ar pensativo.
- O que você que dizer com isso? Stephan olhava intrigado para seu amigo.
- Vá a floresta, no mesmo local onde você esteve ontem a noite, e você verá do que eu falo! Então Rudolf se levantou e foi embora, deixando em Stephan uma semente de curiosidade, o que ele tinha de tão importante para lhe mostrar, e ainda num lugar que trazia em Stephan sentimentos tão ruins.
Na floresta, Rudolf estava preparando uma nova fogueira, no mesmo local onde a outra havia queimado, quando ouviu um barulho de folhas e galhos sendo esmagados sob os pés, que o alarmou , mas logo percebeu de quem se tratava, era Anabelle, sua convidada especial.
Anabelle, era uma garota, muito intrigante, seu olhar era muito envolvente, sua pele muito pálida e ficava quase translúcida sob a luz do luar, seus cabelos negro que ficavam presos em um coque, sua boca era um convite para um beijo, principalmente por causa daqueles lábios vermelhos, ela vinha vestida com um longo vestido vermelho. Então Anabelle foi em direção a Rudolf, que ao vê-la chegar tão perto, faz um reverencia para saudar sua amiga.
- Que bom que veio Anabelle, nós convidado já deve estar chegando!
Anabelle, se acomodou em uma pedra em forma de banco ao fundo de uma trilha formada pelos objetos da noite passada, e num tom suave mas com uma ponta de ironia perguntou:
- É você, meu querido Rudolf, não quer ter o mesmo destino de seu amigo?
Rudolf, que começava a acender a fogueira voltou-se para Anabelle, e esboçando um sorriso, respondeu:
- Você sabe que não preciso, minha cara!
Um outro barulho de passos, mas desta vez era Stephan, que ainda estava com os pensamentos nos acontecimentos das ultimas horas, mas sua curiosidade era tanta que resolveu ir ver o que seu amigo tinha para lhe mostrar.
- Que bom que veio, meu amigo! Rudolf se aproximou de Stephan dando-lhe um abraço.
- O que tinha de tão importante para me mostrar Rudolf? Stephan parecia estar um pouco indiferente a tudo a sua volta, mas na realidade cada canto que via lhe trazia uma estranha sensação de que tudo não passava de um sonho ruim.
Rudolf neste momento sumiu um ar sombrio, como se os pudesse sentir os sentimentos de seu amigo, e virando-se para a fogueira que já queimava alto respondeu em altas vozes.
- Isso, meu amigo, é uma maneira de te ajudar a ter sua amada de volta!
- O que você quer com isso Rudolf, me magoar! – Stephan começava a se enfurecer com as palavra de seu amigo – Você sabe que ela morreu, naquela fogueira lá no meio da praça!
- Sim. Mas podemos traze-la de volta!- Disse Anabelle, que escutava tudo, de seu trono de pedra. Isso fez com que Stephan se espantasse com a intrigante figura de Anabelle, mas suas palavra o deixou um tanto curioso.
- Como assim cumprir meu destino?!Rudolf vendo o espanto de Stephan, tentou acalma-lo, mas sem perder seu tom sombrio.
- Não se espante meu amigo, Anabelle é uma velha amiga. Ela ira te ajudar, a compreender o que será seu destino daqui para frente!
- Ainda não entendo! Como ela pode me ajudar? – Stephan olhava assustado para Rudolf – E do que vocês estão tentando dizer com "destino"!
De repente Anabelle sem dizer uma palavra, foi se aproximando devagar de Stephan, com seu jeito de andar bem suave, e chegando com o rosto bem próximo ao dele, lhe deu um beijo que só encostou os lábios de Stephan, este por sua vez, sentiu um arrepio percorrer todo o corpo.
- O que é você? – Stephan ainda se sentia um pouco zonzo.
- Silencio! – Anabelle tocou os lábios dele, para que ele para-se de falar – Essa não é hora para perguntas.
Anabelle virá-se de costas para Stephan. Ela dobra o joelho direito e encosta o do lado esquerdo no chão. Anabelle abre os braços para os lados. Ela inicia um movimento ondulatório com as mãos. Em seguida, começa a bater devagar com os pés no chão. À medida que os segundos passam as batidas tornam-se maiores. O corpo de Anabelle se contorce. Stephan não entende.
- O que é isso, Rudolf?!
- Calma, meu amigo!
- Como você quer que eu fique calmo?! Está na cara que essa mulher é uma feiticeira. E magia negra é crime!
Rudolf coloca as mãos sobe os ombros de Stephan.
- Quer ter sua amada de volta?!
- Sim! Mas não a esse custo!
- Então você não a ama!
- Ora, como...
- Você não a ama!
- Rudolf, é lógico que a amo! Mas não quero ter de vender minha alma ao diabo para tê-la de volta!
- Vou pedir para Anabelle parar com a cerimônia! Vou dizer que tudo não passou de uma aventura!
Stephan pega Rudolf pelo braço.
- Rudolf, não desdenhe de meu amor!
- E que espécie de amor é esse?! Berra Rudolf soltando-se de Stephan. Você fez amor com a garota, Stephan! Quase foi morto por ela! E agora não quer tê-la de volta porque tem medo do demônio!
- Morrer por amor não é o mesmo que vender sua alma por amor!
- E você acha mesmo que vai para o Céu depois de ter dormido com uma virgem?!
Stephan pára um pouco para pensar. De repente um forte tremor de terra abala os corpos dos dois amigos.
- Mas o que foi isso?!
- Foi o primeiro sinal! Rápido, Stephan, segure-se nessa árvore!
- Sim, mas...Um outro tremor ocorre forçando Stephan a se segurar na árvore indicada por Rudolf. Este não se segura em nada. O terremoto começa e Rudolf permanece de pé, impassível. Stephan fica perplexo. Ele mal consegue se segurar e o amigo continua fixo, como se o terremoto não fosse nada para ele. De repente as chamas da fogueira começam a girar, ocasionando um furacão vermelho.
- Meu Deus!Stephan fica cada vez mais impressionado. À medida que Anabelle bate com mais força os pés no chão, os tremores de terra aumentam. O terremoto e o furacão de fogo aumentam. Até que Anabelle dá uma cambalhota no ar ficando de frente para Stephan.
- Ela é um demônio! Grita o jovem ao ver os olhos vermelhos e os dentes afiados de Anabelle.Quando a vampira bate com os pés no chão, após o salto, a terra treme. O chão se abre e Anabelle pronuncia o encantamento:
- Chum, fire vinde a mim!
E o fogo sai do centro da terra e atinge em cheio a vampira.
- Nãooo... Grita Stephan.
- Iahhh... Grita Anabelle enquanto a pele é arrancada de seu corpo pelas chamas.
Foi nessa hora que Stephan ouviu a gargalhada sombria de Rudolf. E isto o revoltou.
- Vocês dois são loucos!
- Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
- Assassino! Assassino! Assassino! Assassino!
- Iahhh...Os gritos de revolta de Stephan são interrompidos pelos berros de dor de Anabelle. A vampira torná-se um esqueleto humano. É quando Rudolf estica sua mão direita na direção do furacão de fogo. De repente, cinzas saem de baixo da terra e são tragadas pelo furacão. É quando Rudolf usa a sua magia.- Cham vuar...Ele aponta a mesma mão para o esqueleto.
- ... prá sum sier!
As cinzas, levadas pelo vento, entram no esqueleto pela boca aberta. As chamas voltam para a terra. O buraco se fecha. O terremoto termina e o furacão se dissipa. O esqueleto cai.
- Meu Deus do Céu!Stephan corre até o esqueleto. De repente, uma nova carne começa a nascer entre os ossos. Stephan se assusta. Então, ele vê os olhos azuis e os cabelos castanhos renascerem no esqueleto. A transformação é rápida e repleta de dor. Quando termina, a jovem encolhe o corpo e começa a chorar. Stephan reconhece sua amada.
- Meu Deus! Eu não acredito! Pensei que nunca mais a veria!Ao ouvir a voz do amado, a jovem virá-se na direção dele. O rosto da garota era cheio de beleza e de tristeza. Lágrimas caem de seus belos olhos azuis. Rudolf assiste a cena de braços cruzados achando tudo aquilo um show de baboseira.
- Stephan! Ela fala com os lábios doloridos.
- Sim, meu amor, sou eu!
- Stephan, achei que nunca mais o veria!
Os dois ficam parados por um momento, admirando-se. A intensidade do amor estava impressa nos olhos dos dois jovens. Ela tenta se levantar, mas cai. Sente a debilidade do corpo dolorido. Stephan corre até ela e a segura pelas mãos.
- Você está bem?!
- Stephan, você me tirou do mundo dos mortos... só para me ter de novo?!
Ele balança a cabeça em sinal afirmativo.
- Stephan... então... você me ama?!
- Sim!
- Mais do que as leis da Igreja?! Mais do que a hipocrisia do Rei e de seus plebeus?!
- Sim! Sim! Sim, meu amor!
- O seu amor por mim está acima do Céu e acima da Terra?!
- Sim!
- E acima de Deus?!
Stephan exita. Apesar de ter sido condenado pela Inquisição por ter praticado o sexo antes do casamento, o jovem ainda acreditava no amor de Cristo. Rudolf aproxima-se do amigo e lhe fala ao ouvido.
- Você já está condenado, amigo! O Tribunal da Inquisição o julgou! E o Tribunal da Inquisição... é Deus! Se você condenou sua amada por amor... por que você não pode se sacrificar por ela?!
Stephan pensa. As lágrimas escorrem pelo rosto.
Eu a condenei ao Inferno! Pensa ele. Eu não posso ser egoísta agora! Quando tentei libertá-la ela não quis, temendo que eu fosse preso também! Ela se sacrificou por mim! Eu tenho de fazer o mesmo!
- Você me ama, Stephan... acima de Deus?!
Ele ainda demora a responder.
- Sim!
- Eu os declaro marido e mulher! Berra Rudolf rindo. Pode beijar a noiva!E assim eles o fazem.